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O que mudar no transporte de São Paulo
Frederico Bussinger, diretor do Departamento Hidroviário da Secretaria de Estado dos Transportes de São Paulo, aponta o melhor aproveitamento de hidrovias como solução para diminuir a emissão de poluentes. Entre os entraves, está o licenciamento ambiental que teria de ser facilitado
Manoella Oliveira
Fonte:Planeta Sustentável
O primeiro e mais chocante é a participação dos veículos rodoviários na emissão de poluentes, que fica em torno de 90% e o outro são os 8,6 Km de águas navegáveis que são pouco utilizadas.
Conciliar esses números parece uma solução simples para Bussinger. “Os transportes hidroviário e aquaviário fazem parte da solução e devem integrar a agenda do século 21”, diz. Segundo o diretor, são 26 mil viagens de veículos nas ruas de São Paulo, por dia, apenas para fazer o transporte de material da construção civil, sendo 90% do transporte de mercadorias feito por caminhões. Seguindo esse raciocínio, parece lógico que o trânsito se complique um bocado pela quantidade e tamanho dos carros. Outra informação trazida por Bussinger é o fato de que 46% dos caminhões trafegam vazios pelo estado, por falta de planejamento.
Outra providência cabível seria proibir o transporte de combustível, no estado de São Paulo, nos próximos 5 ou 10 anos. “Além de ser carga perigosa, isso causa congestionamento. Não existe motivos para não ser feito por dutos”, diz o diretor.
Mas o transporte rodoviário tem seus atrativos: os investimentos são mais visíveis e a implantação é relativamente mais simples. “O único sistema autossuficiente é o rodoviário. Os outros dependem de um segundo sistema. As ferrovias, que também descomplicariam o trânsito, e hidrovias dependem de conexão e isso demanda planejamento”, explica o especialista. O licenciamento ambiental também é uma questão a ser trabalhada.
Apesar de as hidrovias crescerem 12% ao ano e liderarem o modo de transporte que mais expandiu na última década, Bussinger afirma que o processo precisa ser facilitado para que possa acelerar, o que não traria problemas para o meio ambiente. “Precisamos mudar o padrão [do licenciamento]. A quem mais interessa que haja mata ciliar são às hidrovias”, justifica. Os 12% ao ano ainda não são satisfatórios. O ideal seria aumentar em 12 vezes o transporte hidroviário e em seis vezes a cabotagem (navegação realizada entre portos interiores do país).
Para diminuir a emissão de GEE e particulados - estes últimos causadores de problemas de saúde nas cidades -, outra estratégia seria investir no combustível como álcool. De acordo com Bussinger, programas dessa natureza evitaram, até hoje, a emissão de quase 1 trilhão de toneladas de CO2.
*Declarações feitas durante o evento “O Transporte e a Redução das Emissões das Grandes Cidades do Brasil: o que fica de Copenhague?”, realizado pela Fecomercio de SP
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