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Domingo, 05 de Setembro de 2010

Notícias

Setor3 é matéria de capa da revista Carreira e Negócios

Publicado em: 15/12/2009

Revista Carreira e Negócios
Ed.17

Lucro sustentável : Na ordem do dia, o Desenvolvimento Sustentável transforma o perfil das empresas e oferece ótimas oportunidades para interessados em contribuir para um mundo mais justo
Por Lincoln Martins



A sustentabilidade entrou definitivamente na agenda das empresas que atuam no País e já é percebida como fator essencial na relação delas com os diversos públicos de interesse". A afirmação consta na pesquisa "A cadeia da sustentabilidade - Uma pesquisa sobre visões e práticas de empresas brasileiras que impactam o futuro do planeta", realizada em abril pela consultoria empresarial Deloitte Touche Thomatsu, com 115 empresas que atuam no Brasil.

Do total das organizações analisadas, 47% apontaram que sua atividade principal impacta diretamente o meio ambiente (53% são do setor industrial). No entanto, 78% das empresas pesquisadas adotam práticas de sustentabilidade, como a reciclagem de resíduos, sendo que 80% delas garantem separar os materiais gerados dentro da própria organização.

Para o sócio-líder para a Indústria de Consumo, Varejo e Transporte da Deloitte, Altair Rossato, a pesquisa mostra que a crise econômica não causou impacto nas decisões de investimento das empresas em relação às suas ações sustentáveis, o que era temido quando a crise foi deflagrada em 2008. Pelo contrário, 19% das entrevistadas afirmaram que a crise teve um efeito positivo no investimento delas em sustentabilidade. "Esse resultado sinaliza que o consumidor está revendo a gama de produtos a serem comprados e, assim, a sustentabilidade passa a constituir um dos itens avaliados na escolha do produto", explica Rossato.

Segundo ele, a tendência é que cada vez mais as organizações otimizem suas cadeias produtivas com foco na redução de custos e no aumento dos impactos positivos de práticas sustentáveis. A constatação abre um precedente cada vez mais evidente no mundo dos negócios: está interessante investir na criação de empresas que ofereçam produtos ou serviços ecologicamente e socialmente corretos no mercado. "Os negócios sustentáveis, ecologicamente corretos e o mercado limpo são novos nichos de mercado e apresentam franca ascensão no mundo.

Acredito que cada vez mais a sociedade irá precisar de alternativas não poluentes, de produtos certificados e ecologicamente corretos para cumprir a sua parte na construção de um mundo mais saudável e igualitário. Portanto, sem sombra de dúvidas, é muito interessante investir em negócios que atendam essas necessidades", afirma a diretora da Setor 3 Consultoria, empresa especializada em gestão corporativa, responsabilidade socio-ambiental e gestão de organizações do Terceiro Setor, Janaína Nogueira Muller.

O que é um negócio sustentável?

De acordo com ela, não existe uma fórmula ou um modelo que possa traduzir com precisão o que seja um negócio sustentável. No entanto, um empreendimento pode ser considerado sustentável quando, além de considerar os impactos das suas atividades na sociedade, visam a minimizar ou até neutralizar, os possíveis impactos negativos em toda a sua cadeia produtiva, sejam eles ambientais ou sociais. "Em minha opinião, o desenvolvimento de negócios alinhados ao conceito de sustentabilidade derivam atualmente da consciência dos novos líderes que estão à frente dos empreendimentos, além, é claro, de uma sociedade cada vez mais consciente com o meio ambiente", diz.

"Os negócios sustentáveis, ecologicamente corretos e o mercado limpo são novos nichos de mercado e apresentam franca ascensão no mundo"JANAÍNA NOGUEIRA MULLER, DIRETORA DA SETOR 3 CONSULTORIA

Para Janaína, esses novos líderes são profissionais que sabem que precisam apresentar resultados positivos não apenas em relação à rentabilidade de seus negócios, mas também quanto ao desenvolvimento de suas atividades com o mínimo impacto para as necessidades das futuras gerações. Ou seja, sem comprometer os recursos naturais.

"Acredito que uma empresa, para afirmar que desenvolve um negócio sustentável, precisa, acima de tudo, ter uma postura transparente frente a todos os seus estakeholders, informando de forma clara como e de que forma eles devem desenvolver suas atividades", diz Janaína.

De acordo com ela, os balanços sociais e ambientais das empresas são instrumentos bastante úteis para demonstrar a todos os públicos as ações sustentáveis de uma empresa. Mas que é preciso estabelecer as diferenças entre negócios sustentáveis de produtos e empreendimentos sustentáveis.

"Posso dizer que os resultados são os melhores possíveis, o que me estimula cada vez mais a divulgar nosso trabalho, pois, acima de tudo, temos certeza de que estamos contribuindo para o desenvolvimento sustentável do País" - FRANZ W. SILVA SOUZA, PROPRIETÁRIO DA MS AMBIENTAL

O primeiro está ligado a empresas que, independentemente da sua atividade fim, produzem mais, consumindo menos recursos e, principalmente, causando menos impactos sociais e ambientais nessa atividade. Boa parte das montadoras de carros, por exemplo, inscrevem-se neste segmento.

Por outro lado, existem as chamadas empresas "verdes", que não apenas se comprometem com o desenvolvimento sustentável, mas têm como atividade fim produtos ou serviços derivados de processos limpos ou meios sustentáveis.

Um exemplo disso são empresas que já se especializaram no recolhimento de resíduos recicláveis para o beneficiamento em novos produtos de consumo. "São empresas que utilizam biodiesel na sua frota de veículos, recolhem e reciclam produtos coletados no próprio estabelecimento e usam todo esse processo para transformar os resíduos em novos produtos para comercialização", explica a consultora.

Ecowood - a madeira de plástico

Em 2005, o empresário Marcelo Queiroga deixou de ser um empreendedor do mercado financeiro para se inscrever entre os empresários que desenvolvem negócios "verdes".

Na época, cada vez mais ele via as altas somas em dinheiro disputadas nas bolsas de valores se concentrarem nas mãos de alguns poucos grupos financeiros de grande porte, enquanto as corretoras de ações menores, como a sua empresa, brigavam por "migalhas no canto do prato".

Ao lado de um amigo, Queiroga resolveu apostar em algo novo. "Juntamos nossas frustrações e resolvemos partir para um empreendimento que, antes de tudo, fosse motivo de orgulho tanto para nós, empresários, quanto para os clientes", conta ele.






Surgia assim a Ecowood Rio, empresa carioca que fabrica mobílias com polímeros reciclados que imitam a madeira tradicional, feitas a partir de resíduos que normalmente não são usados pela reciclagem convencional, como pedaços de tapete, fraldas descartáveis, trapos de pano, além de um mix de fibras naturais, como borras de café, serragem, coco, sisal e algodão.

Um dos diferenciais mais interessantes do produto é que as tradicionais garrafas PET e os tubos de PVC não servem para o processo de produção. "Utilizamos um 'mix' de plásticos que compõem em torno de 65% a 80% do produto, cuja diferença é complementada com as fibras, e corante, se for o caso. Dependendo do processo, os resíduos são moídos juntos ou separadamente", explica Queiroga.
Produtos ecológicos: a onda do momento

Mas lançar produtos ecológicos no mercado não é garantia de negócio, e o empresário explica que não foi fácil emplacar a Ecowood. Em meio a tantas novidades e promessas de que novos produtos são melhores e mais ecológicos do que os outros, fica difícil para as empresas avaliarem seu interesse por algo novo.

Ao levar a Ecowood para uma feira de logística em 2006, seu objetivo era atrair clientes para a compra de pallets (estrado de madeira ou plástico, usado para empilhar e transportar materiais com empilhadeiras) feitos com a madeira ecológica. "Nosso objetivo era propor a utilização dos resíduos do comprador para transformálos em madeira plástica, que seria beneficiada no formato dos pallets ou outros produtos. Ou seja, queríamos transformar um passivo ambiental em ativo patrimonial. Esse era o nosso apelo mais forte, no entanto, todos os visitantes em que tal abordagem foi feita diziam, já saindo de lado, não ter resíduos", conta.

Persistente, no ano seguinte, a empresa voltou à mesma feira e mostrou na prática o que era o Ecowood. "Colocamos frascos com os insumos que utilizamos na própria confecção do nosso estande, como a borra de café, pedaços de tapetes, fraldas, etc. Foi o maior sucesso! Cerca de 85% dos visitantes nos procuraram dizendo que estavam justamente buscando um destino correto para esses resíduos", afirma.

Atualmente, com parcerias com a Kimberly Clark, Tapetes Carlos, Café Iguaçú e Vicunha Têxtil no fornecimento de resíduos e o beneficiamento em pallets e outros produtos, a madeira ecológica está atraindo também o interesse de arquitetos e empresas de engenharia interessados no seu uso para o mobiliário urbano e residencial, como decks, piers, móveis de jardim, cercas, pallets industriais, quiosques, entre outros produtos.

"O consumidor está revendo a gama de produtos a serem comprados e, assim, a sustentabilidade passa a constituir um dos itens avaliados na escolha do produto" ALTAIR ROSSATO, SÓCIOLÍDER DA DELOITTE TOUCHE THOMATSU

No entanto, Queiroga afirma que ainda está longe de atingir seus objetivos enquanto empresário ecologicamente correto. "Ainda temos dificuldade para trabalhar com os resíduos, mas consideramos que a demanda do nosso produto é enorme. Se considerarmos o mercado de madeira para o uso na construção civil, indústrias, logística e outros, temos um mercado de bilhões de reais à nossa frente", diz.

Vale dizer que a Ecowood atende a Norma Internacional de Medida Fitosanitária nº 15 (NIMF-15), publicada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, em 2002, cujo objetivo é impedir a disseminação de pragas florestais por meio de pallets e caixas de madeira usadas para o acondicionamento de produtos agrícolas e alimentícios. A NIMF-15 isenta as empresas cujas embalagens, suportes e material de acomodação de outros produtos sejam de outro material (plásticos, papelões, fibras, etc) que não a madeira convencional. Mais um diferencial que a madeira ecológica oferece.

Para Queiroga, entrar no mercado de produtos sustentáveis significou uma escolha rentável e de grande orgulho, pois ele sabe que seu trabalho tende a se fortalecer cada vez mais com as práticas sustentáveis assumidas pelas empresas e pela sociedade. "Hoje, está cada vez mais fácil trabalhar com produtos ambientalmente corretos, porque todas as empresas estão buscando soluções ou vínculos com outras empresas com o objetivo de atender suas necessidades comerciais ou de imagem. Nós adoramos isso", comemora.
Bem maior

Há diversas maneiras de atuar no mercado de maneira sustentável, e cada vez surgem novas e diferentes formas de aproveitar as oportunidades que uma sociedade cada vez mais preocupada com o ambiente em que vive oferece.

Para o microempresário Franz W. Silva Souza esta oportunidade surgiu há sete anos, quando um amigo lhe apresentou o Enzilimp, um biorremediador de esgotos domésticos e efluentes industriais, composto de microrganismos naturais produtores de enzimas capazes de digerir os dejetos, preservando e recuperando o meio ambiente. Produzido e distribuído por uma empresa gaúcha de mesmo nome, em palavras simples, o produto faz a limpeza dos esgotos de casas e empresas, devolvendo a água usada por elas com qualidade de reuso à rede de tratamento.

Souza viu no Enzilimp uma maneira de ganhar dinheiro contribuindo para a melhoria do meio ambiente e, em conjunto com a esposa, criou a MS Ambiental para representar o produto no Estado de São Paulo. O que começou com a venda de alguns saquinhos do produto para açougues, padarias, outros comércios pequenos e residências, atraiu o interesse de clientes de peso, como grandes redes de supermercados e atacadistas, shoppings centers, indústrias alimentícias e até órgãos públicos, interessados em reduzir a quantidade de poluentes que seus serviços, como a coleta de lixo, mandam diariamente para os esgotos.



"Nossa empresa se dedica a restabelecer as condições da água pela própria natureza, com uma tecnologia de ponta, capaz de transformar a matéria orgânica em água e sais minerais, auxiliando de forma efetiva as companhias de saneamento básico na preservação e proteção ambiental. O produto é biológico, natural, ecologicamente correto e não tem nenhuma substância patogênica proibida pela legislação brasileira", garante Souza. O Enzilimp possui regstro no Ministério da Saúde (ANVISA) e no IBAMA.

"Investir em negócios com alta emissão de carbono hoje, por exemplo, pode significar a extinção dessa empresa no futuro" OTÁVIO LOBÃO DE MENDONÇA VIANNA, CHEFE DO DEPARTAMENTO DE OPERAÇÕES DE MEIO AMBIENTE DO BNDES

De acordo com o empresário, o produto reduz consideravelmente os índices de Ph, DBO (Demanda Biológica de Oxigênio), DQO (Demanda Química de Oxigênio), Sólidos Totais e Sólidos em Suspensão da água, com resultados excelentes. "Chegamos a tratar os efluentes de um município que estava com um índice médio de 1.800 DBO, para 900 DBO em apenas cinco dias, ou seja, reduzimos consideravelmente a poluição causada pelo chorume do lixo naquela cidade", conta Souza.

Atualmente, a MS Ambiental conta com uma equipe 11 funcionários, entre consultores estagiários da área de gestão e engenharia ambiental e profissionais de vendas que também oferecem suporte aos clientes no pós-venda.

Para Souza, a empresa já surgiu com excelentes expectativas, numa época em que ainda começava a se falar sobre preservação do meio ambiente. "Hoje, posso dizer que os resultados são os melhores possíveis, o que me estimula cada vez mais a divulgar nosso trabalho, pois, acima de tudo, temos certeza de que estamos contribuindo para o desenvolvimento sustentável do País", afirma.


 
 
www.setor3consultoria.com.br
by Orbitaltec